Chove na rua. Sinto-me acorrentado. Como se as paredes do quarto de uma cela se tratassem. Laranja velho, pintas brancas de estuque onde esse já não mora. Quatro parteleiras de madeira, brancas. A unica janela, que não abre, dá para o quintal, está tapada pela curtina com vários tons de creme e algumas palavras em latim. Um armário, uma mesa à cabeceira da cama e duas cadeiras. Castanho. O candeeiro de pé ilumina o pequeno espaço, onde escrevo sem preças. Os retratos daquela que estará sempre na minha lembrança, dão-me a força de que preciso.Sinto a angustia da perca cada vez mais ténue, cada vez mais ofuscada pelo tempo. Não pares!
As árvores agitam-se ao sabor do vento. A chuva que cai é tanta como as folhas que se soltam e voam em trajectórias indefenidas até ao solo húmido. Está frio. Sente-se. O frio é uma sensação estranha, tão apaziguadora quando se encontra o quente, que apetece parar o tempo naquele instante. O que se sentirá quando não mais se sentir? Ou será que alguma vez deixamos de sentir? Talvez apenas se comece a sentir depois desse tal ultimo e tão afamado suspiro, o da morte.
Apenas histórias para ilustrar livros. Quem crê que se sente depois do ultimo suspiro.Talvez eu acredite nisso. Há alturas em que tudo parece claro e tranparente como a cristalina água que brota das profundesas da terra. Outras nem tanto. Pura fantasia, sei lá. E tambem como poderei eu saber. Vou ter de esperara como todos os outros.
O agitar inquieto das árvores continua. Adora este tempo de chuva e vento. Entao quando posso estar assim no calor das mantas no aconchego do lar. Mesmo que seja de desconhecidos como este. A chuva é agora um pouco mais forte.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
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