sábado, 20 de junho de 2009

Preso

Mais uma noite no meio do nada, vagueia
Presa sem querer, a alma solitária
Sentindo a falta de tudo o que não quer ter
Buscando na memória lembranças de um sonho.
Tentando desenhar o que avista.
Rabisca numa folha branca palavras sem sentido
O tempo desespera, passar no seio da escuridão
Anseia por ser dia de novo
Temendo o novo que esse dia lhe trará.
Olhando em volta nada vê se não as paredes brancas
O reflexo no espelho não o agrada
Não se sente com força de o ver
Escondesse ao lado dele

Para quê pensar mais, o que é que eu quero
Se nada me esclarece a dúvida contínua
Quando a cabeça se encontra encostada no travesseiro
O cérebro agitado não pára
Cala-te, deixa-me, quero apenas o vazio
Ver o negro sem pensamentos
Sair de ti voar por ai
Libertar-me deste fardo ao qual me encontro preso
Deixem-me sair, quero ser livre

Em vão luto sempre a querer mais
Mais do que aquilo que tenho

Um lugar fora de ti, um voar sem medo pelo mundo.
Descobri finalmente que o que me faz sentir mal
Apenas tu me sufocas,
Deixa que se abram as portas da cela
Deixa-me viver fora de ti tudo o que não posso dentro de ti
Sentir realmente por um dia o que é ser livre
Ter nas mãos flutuantes a força invencível do transponível
Passar além de todas as barreiras
Sem que nada me possa parar
Quero sair, deixar para traz todo o físico
Entrar no mundo real onde tudo acaba
Ser apenas energia a flutuar
Ser apenas eu fora de ti
Sem aparência de ninguém ou de nada
Com consciência de tudo
Na consciência de todos
Viver, para ver os outros presos!

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